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É preciso cortar
Dizer adeus ao que já vai
[ e pensas, se já não foi ]
Se alegrar na despedida
Felicitar as futuras linhas
Abraçá-las, sem perguntas
Mesmo que a lágrima insista
Deleitar-se
Liberdade, é a sua honra
Caminho de sal,
Sê bem-vindo ao berço
Mar de toda criação
Quer cópia ou não
A chuva retorna pra casa Desde 2005 escrevi aqui partes de partes de mim...agora sigo, navegante negra em outras ondas, sendo eu mesma, mas outra, agradeço aos amigos que passaram e que me presentearam com o próprio tempo, mesmo sendo este medido pelos homens, eis sua contramão nas horas imensuráveis. Até!!
COM LICENÇA POÉTICA Adélia Prado Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não tão feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor. Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos — dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô. Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou. In Adélia Prado, Poesia Reunida Siciliano, São Paulo, 1991
Escrito por Marceli C. às 13h18
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Em torno de si Uma via de respiro alívio necessário do pensamento pudera, não pensado uma procura em turbilhões são e somos lacrados como caixão abertos como flor rios enlameados mares nunca vistos é preciso cuidado, sinta o suicídio de todos os dias insatisfação. E como não pensar, apenas se repete nos gestos, a frase talvez haja diferença mesmo na similitude entranhada e fatigada creia na esperança desmedida a atitude mais vil cabe no descontentamento teu que seja o desejo dilacerado para cortar-te a artéria veículo da tua cor vê! amarela. Girassóis-pétalas esvoaçantes. Sacramento E Deus me deu o som da escuridão para que eu pudesse ouvir a luz Confesso É o som verde que me prende O tom que se refaz todas as noites Dolorido agudo de minha parte Contradiz ao pulsar Sou livre
Escrito por Marceli C. às 15h44
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Cotidiano Srta. A ajeita os bancos traseiros do carro, é sábado, dia da mudança. Quantas quinquilharias receberam os teus próprios dedos e neles visível está o cansaço. Srta. B veio ajudá-la e conheceu as quatro paredes. Srta. B tem um ataque histérico e ao que parece foi este o impulso que lhe provocou o término da manifestação de toda desordem. Srta. A apenas agradece. Srta. B possui os olhos perplexos e o ar fatigado, é visível sua desolação. Srta. A se lamenta, mas estes já tão conhecidos dizeres cessam, ao que a Srta. B diz: - Eu teria me matado! Srta. A sorri: - E não foi o que fiz? Para não perder o costume: Luzidia Amargo tocado estranheza, a cada passo o relógio anuncia qualquer tempo tem seu fim como limites-paredes prisão na memória do espaço que me trouxestes na angústia que se esvai do conhecido abandonado consolo é sorte quando em minhas mãos, a chave Há quantas línguas no escuro?
Escrito por Marceli C. às 19h36
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Fere a palavra
uma tentativa
de explicação mínima
para o descaminho
e sorte esquecida
tatear lucidez
diluída.
Escrito por Marceli C. às 17h51
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E ele que não tinha asas,
voou pela cidade
sozinho
Já noite
No brilho
A Lua alta e o desejo
Imenso
De campos e mares
Outros
Num tempo ingrato
Tão pouco
Restava-lhe o dia
Para sonhar
Pensava: - Vida que não vivo!
Utópico esqueleto rastejante
Não sabia
Logo teria suas asas de Tânatos
Escrito por Marceli C. às 21h01
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Quente, vê a falta
nos costumes ditados
cômodo é o passo
rápido num tiro
o abrir e fechar
Frio!
Distante da vontade
Potência?
Não - Resistência
Mundo de coisas,
aceite trocar
Escrito por Marceli C. às 18h42
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Fácil, num piscar de olhos...estouram assim
como bolhas,
pensamentos parecem andar num círculo...
ciclos?
Talvez ecos
Ressoamos
Imortalidade
Plouc, plouc, plouc
Escrito por Marceli C. às 19h50
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Para você
Acredite
É possível tocar o infinito
e comer o pão doce do céu
sem o peso dos ossos
caminhar sobre o lodo
e ter sob os pés, algodão
incensos e lírios
É possível
Um ensaio, o giro
nos passos d' água
chuva e mar
ser assim
O reencontro
Escrito por Marceli C. às 18h48
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Quando te alcançam as migalhas
Que intenso seja o vômito
seco o nó esticado
da raiz, pedaços - suas águas rasas
expele o que nasceu do fim
Escrito por Marceli C. às 18h42
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Saberei ficar? ouço o balé mas não tenhos os pés, anseios de uma bailarina iniciante
Escrito por Marceli C. às 13h17
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Voz (25/10/07)
Tão distante das palavras Diárias, rotineiras Piadas, falas avulsas Comum
Sentido que me falta
Ronda-me o absurdo Num mundo que não quero Beiro o abismo Esqueço das asas
No meio-fio fico Quando emudeces Enterradas são as sílabas Reféns do falso silêncio Que livres, só pensamentos Permeiam fulgurantes No céu noturno Falando por ti
E Sim, posso Assim, te ouvir
Escrito por Marceli C. às 19h36
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Certeza das incertezas
Dias nebulosos Talvez a chuva quem sabe o vento nos carregue Seja o vôo, possível Mergulho em si Seja o giro da terra O traço-caminho É certo o desamparo Ao som das águas
E que seja assim No abondono de tua parte O contrário provocado Saber-se que há Nas desamarras Tantos de nós
Entrelaçados
Escrito por Marceli C. às 18h18
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Pensamentos tolhidos, mas colhidos- 1ª semana de abril - Outono/2008
Impressão
É o que percorre como folhas aquelas do outono secas e amarelas A vida, uma via talvez Minha Extensa,finda no querer pousar
Dúvida
Enquanto serpente corre a vida esguia e rastejante há que se viver?
Dor
Senta e enlouquece chora alma nas pequenas mãos impotentes gota a gota esquece ânsia Teu amarelo
Desfaz o cabelo joelho redondo que resta nas linhas brancas pretas, gris Escreve-as aos poucos Manifestas teu mínimo Quando pensas Pés e pernas
Quem caminha?
Escrito por Marceli C. às 13h31
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Estranho é pensar no seu mundo quebrado de pernas viradas joelhos arrastados É por certo doentio como cordas estiradas o nó firme atado no pescoço miserável saber-se condenado Definhar até o último Sorrir Enjaulado na tua carne alívio (para todos?) deixar-se morto
Alça teu anseio, só
Escrito por Marceli C. às 18h12
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Como um canto nunca ouvido apenas no olhar se perder infinitamente em teus braços e dançar Beber tuas cores embriagar-se de sal teu áspero roçar saboroso espanto ter sido,azul tocado Como ondas, arrepios totais nos sentidos velozmente eternizados sabendo-se finito, contemplo-te, me inundo. Eu sei sou parte tua, La mar.
Páscoa Paúba - Outono/2008 - "Salve Sem e Bru! Salve Paúba! Salve Hemingway!"
Escrito por Marceli C. às 11h40
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